quarta-feira, 4 de março de 2009

Crônica: Academia sobre rodas

Movimentação intensa, bastante vivenciada no terminal Novo Mundo, às 17 horas, no ponto de ônibus para a cidade de Senador Canedo. Os que saboreavam sorvete trataram logo de consumi-lo e quem comia espetinho fez o mesmo. Levantei-me depressa do pé da grade divisória e, de tão cansado, até me dispus a levar algumas cotoveladas em troca de um banco qualquer. Porém, só me sobraram cotoveladas e pontapés, porque as cadeiras foram ocupadas num piscar de olhos.
Mesmo assim, entre o "bolo da massa compacta", tive tempo para contemplar um jovem que continuava com seu sorvete empunhado, apenas o levantando para não esfregá-lo em alguém. O rapaz foi abrindo caminho e eu então aproveitei o vácuo! O sorvete derretia rapidamente, mas ele, para não perder uma única gota do caldo que escorria pela mão, resolveu abaixar o braço repetidas vezes para lambê-lo. Pensei: este tipo de flexão de braço é praticado nas melhores academias.
Dessa forma, entramos no veículo e, logo na saída do terminal, vi que atirava o sorvete pela janela, porque precisava das duas mãos para se segurar. Naquela ocasião, o ônibus foi manobrado para um lado e nós fomos atirados para outro. Nisto o jovem, como um halterofilista, procurava sustentar seus quase oitenta quilos de massa corporal.
Dez minutos de viagem, começa um chuvisco. Com isso, os passageiros levantaram-se para fechar os vidros, num movimento harmonioso, como numa equipe de nado sincronizado. Em pouco, o ar ficaria grosso e pesado no interior do veículo, um exercício bom para mergulhadores que necessitam sobreviver com limitações de oxigênio. O pior é que, da frente, um atleta resolveu dar o “tiro de misericórdia”. Antes da “catraca”, o malandro já sorria debochadamente. Logo, a onda de riso chegaria ao “fundão” numa competição de gargalhadas, ocasião em que alguém assume o papel de treinador e grita:


- Respirem fundo, pessoal, que é para acabar logo o aroma!
Tão logo a chuva passou, escutei uma sinfonia de vozes fracas e sufocadas:
- Abre logo os vidros se não nós vamos morrer!

Então, os passageiros, sincronicamente, levantaram os braços e, de uma só vez, abriram as janelas.
Eu, na ocasião, cheguei até a ponderar que esses exercícios seriam mesmo ideais para mim. Afinal, os quebra-molas nos fazem pular. Nas curvas somos empurrados para os lados e as depressões nos forçam a muitas flexões. Tudo isso, somado com as corridinhas costumeiras para embarcar em ônibus lotados, nos causam um bem danado!

Claudeci Ferreira de Andrade
Senador Canedo

Um comentário:

  1. Caro amigo Gedeon, apreciei muito ler meu texto em seu blog, que por sinal é demais informativo e orientador. Só lamento pelo "FARO", você sabe bem do que estou falando. Mas continuo na fé de que a concretização de fato dessa ideia acontecerá. Conte comigo entusiasta Deon. Considerações fraternas, feliz 2010 para você e família.

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Professor, pesquisador nas áreas de literatura, linguagens, imagens e fatos sociais