terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A violência do mundo real e a violência na mídia

Temos assistido a cenas que retratam a violência nas mais odiosas esferas. Basta ligarmos a TV num dia qualquer, para logo sermos “bombardeados” por seqüências de imagens repugnantes como aquela do bebê indefeso que foi encontrado numa sacola plástica depois de ter sido atirado como dejeto numa lagoa. Fato ainda mais preocupante, se é que algo possa produzir efeito mais desolador do que a imagem de uma criança descartada feito objeto sem serventia, são os incontáveis casos de violência praticados contra seres humanos de todas as idades e classes sociais e que são tratados de maneira generalizada. Parece até que a violência já atingiu um patamar de banalização tão acentuado que não merece abordagem diferenciada que possa, de fato, fazer o cidadão compreender melhor o cotidiano. O problema, em parte, parece estar na mídia, que não oferece uma boa compreensão quanto aos casos de violência. Nota-se a existência de duas maneiras completamente opostas de se veicular notícias desta natureza. Enquanto alguns telejornais de alcance nacional apresentam os fatos relacionados à violência de forma muitas vezes condicionada a causas singulares, como os que estariam ligados ao tráfico, programas menores ocupam-se de encenar o “patético”, como faz por aqui o escrachado “Chumbo Grosso”, especializado em imagens com exposição de sangue. As reportagens, sob alegação de serem “diretas e sem rodeios”, acabam animalizando e humilhando os envolvidos nas matérias. A abordagem da violência no Rio de Janeiro chegou a um contexto tão generalizante que, qualquer assassinato naquela cidade induz a imprensa a relacioná-lo com o “crime orga-nizado”. Desta feita, soma-se ao caso a noção de criminalidade desenfreada com possibilidade quase nula de ser contida pelos órgãos competentes. O contrário ocorre por aqui, na região metropolitana de Goiânia, onde os crimes são veiculados com certo ar de normalidade, como algo componente do cotidiano mesmo. Daí, resta a seguinte conclusão: ou os crimes cometidos no eixo Rio - São Paulo são mais hediondos e mais crimes do que os daqui, ou o problema encontra-se na imprensa, que, como no exemplo citado, do bestial programa“Chumbo Grosso”, consegue transformar casos de assassinato, estupro, violência contra crianças e adolescentes, em verdadeiros espetáculos com o objetivo único de atingir o maior número possível de pontos no índice de audiência. É preciso pensar sobre isso!

Alisson Luiz

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Professor, pesquisador nas áreas de literatura, linguagens, imagens e fatos sociais