quarta-feira, 11 de março de 2009

Maguito Vilela e o dilema da educação em Aparecida

Quando Maguito Vilela iniciou sua campanha pelo pleito de 2009-2012 em Aparecida de Goiânia, o preteitável não conhecia praticamente nada do sistema de educação do município. Tanto era que seus primeiros discursos quase sempre apareciam carregados de promessas que, por puro desconhecimento no assunto, nem chegavam mesmo a ser "propostas", pensando aqui no sentido restrito do termo. Verdade é que o falatório não ia além dos clichês, tão peculiares à perfórmance das campanhas políticas.
Mas de uma coisa o então candidato tomou conhecimento por meio de apoiadores como Léo Mendanha e Ozair José, secretário e deputado estadual, respectivamente, e isso marcou em definitivo os rumos de sua campanha. Maguito baseou na insatisfação praticamente generalizada de professores e demais funcionários das escolas - por sua vez, revoltados com as barganhas políticas entre o executivo e legislativo municipal, cujos arranjos transformaram os vereadores em mandatários das unidades de ensino e numa espécie caricata de senhores feudais, cada qual ligado a sua região de mando. - para ventilar a possibilidade de estabelecer as eleições diretas para gestores das escolas da rede municipal de ensino. A ideia de democratização das escolas pegou de tal modo que o prefeitável cresceu na preferência do eleitorado, o que culminou na sua vitória ainda mais expressiva.
Depois da posse de Maguito Vilela, porém, muita coisa mudou e a categoria de profissionais da educação do município passou a viver, pelo menos até agora, momentos de profunda incerteza. Nem mesmo a indicação para a pasta da Secretaria da Educação do professor Domingos Pereira, ex-presidente do Sintego, sindicato que representa a categoria, trouxe calma aos corações aflitos. O problema é que Domingos, mesmo sendo um calejado sindicalista, experimentado e acostumado a vociferar contra as mazelas e injustiças praticadas contra os profissionais da área, na condição de secretário não deixou de meter os pés pelas mãos. Serviu-se dos mesmos mecanismos dos políticos das antigas para substituir os velhos diretores das escolas, artifícios a que não deveria recorrer. Alguns garantem que o secretário é de pouca capacidade para o diálogo. Falta-lhe humildade até mesmo para conhecer a cozinha de sua secretaria. Mas o pior mesmo foi o fato de o homem, assim que assumiu, ter passado como uma espécie de tufão, arrancando paus e pedras, sem deixar nada em pé, servindo-se exclusivamente do critério político. Particularmente acho que os velhos diretores já foram tarde, mas se era para a coisa acontecer desse jeito, que a substituição fosse feita apenas pelo vereador tão acostumado a fazer com que sua própria vontade suplante a vontade popular.
Gedeon Campos

Um comentário:

  1. Parabéns Gedeon, pela iniciativa. O texto "Maguito Vilela e o dilema da educação em Aparecida" ficou ótimo. Quem sabe assim, a população aparecidense não acorda.

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Professor, pesquisador nas áreas de literatura, linguagens, imagens e fatos sociais